quinta-feira, 29 de maio de 2008

Alunos do Isca Faculdades transformam óleo de cozinha em sabão

LILIAM LOURENÇO DE QUEIROZ

Alunos do curso de Química mesclam a solidariedade com a contribuição ao meio ambiente.

Alunos do curso de Química do Isca Faculdades, em parceria com o Programa de Responsabilidade Socioambiental, o Prestalie, desenvolvem com um projeto que reutiliza óleo de cozinha usado para a confecção de sabão. Segundo a assessora de comunicação da instituição, Rebeca Paroli, o projeto nasceu na faculdade. “A idéia surgiu no curso de Química. Os alunos perceberam que havia muita sobra de resíduo de óleo que não era reaproveitado. Com isso, resolveram fazer este projeto para contribuir com o meio ambiente”, conta.

O óleo é doado pela população da própria faculdade. Grupos de cinco a dez alunos produzem semanalmente o produto. Juntamente com o óleo, a confecção é feita com água e soda cáustica. “São cerca de 200 litros por mês, podendo fazer 250 quilos de sabão”, explica a aluna de Química, Laís Peixoto Rosado.

Depois de confeccionados, os sabões são doados a entidades assistenciais. O asilo João Kuhl Filho foi um dos beneficiados. A entidade chega a lavar por dia 15 quilos de peças de roupas, como toalhas de pano, guardanapos, além de lavar todos os dias louças e panelões de comida.

De acordo com a assistente social, Marilene Toledo, este tipo de iniciativa é muito importante, além de ser um produto de qualidade.

“O sabão caseiro é bem melhor que o industrial, ele espuma muito mais”, comenta.

O projeto começou em outubro do ano passado e continua, mas, segundo Rebeca, depende de mais doações. “Estamos buscando parceiros, porque precisamos de investimentos, principalmente na soda cáustica, que é usada no preparo do sabão”, ressalta. A assessora diz ainda que os interessados devem armazenar o produto em garrafas pet ou galões para serem entregues.

As doações podem ser feitas no próprio campus do Isca Faculdades localizado na rodovia Limeira/Piracicaba, km 4. Mais informações pelo telefone 3404-4706.

Reciclagem: opção na geração de renda

PALOMA PRATES

A preocupação com a preservação do meio ambiente gerou, em Limeira, a campanha Reciclagem Solidária, que trouxe para muitos moradores da cidade uma opção de geração de renda.

A campanha tem como objetivo incluir a população carente no processo produtivo, visando, por meio da geração de renda e trabalho, estabelecer desenvolvimento sócio-econômico e ambiental sustentável para o município.

O lixo é um dos responsáveis pela degradação do meio ambiente e o seu acúmulo contribui para a contaminação do solo e do ar.

A reciclagem é uma alternativa para diminuir esse problema. Ela ajuda a manter limpa a cidade, contribui para o aumento da vida útil do aterro sanitário e colabora para a sobrevivência de muitos animais.

Para a maioria da população que trabalha nesse ramo, a reciclagem é o único meio de sustento. É o caso de Maria Rosa Silva Santos, 46 anos, que trabalha com recicláveis há três. Ela ganha, em média, R$ 250 por mês. “Não sou aposentada. Se não fosse a reciclagem, não teria como sobreviver”, relata.

Todos os coletores são cadastrados no Centro de Promoção Social Municipal (Ceprosom), onde recebem acompanhamento social e orientações para atuarem nessa área. Eles recebem também uniformes e carrinhos identificados da prefeitura e salário correspondente ao que recolhem.

Conscientização

O apoio de toda a população é muito importante para a eficácia do trabalho. A coletora Raquel Carmem Boriolo, de 45 anos, trabalha com reciclagem há seis meses e reclama da falta de colaboração dos moradores. “Nós temos muito trabalho para separar o lixo. Os materiais recicláveis ficam misturados junto com comida. Aproveito para pedir que todos no ajudem com a separação do lixo”, fala.

O projeto não oferece apenas geração de renda, os coletores recebem, também, orientações sobre a importância do trabalho que realizam.

“O trabalho de conscientização que eles recebem faz com que percebam que são agentes sociais e que, além de uma opção de renda, a coleta de materiais recicláveis contribui muito para o meio ambiente”, diz a presidente do Ceprosom, Silvana Bortolin Nóbrega.

Confira o preço médio por quilo de cada material:

Pet: R$0,60
Ferro: R$0,25
Metal: R$5,00
Plástico: 0,30
Papelão: R$ 0,18
Sacolas plásticas: R$ 0,30
Alumínio: R$3,00
Cobre: R$8,00

Mister Gênio da Garrafa Pet ensina arte no mundo da reciclagem



Moacir Magusteiro ensina que reciclar é o melhor caminho para a despoluição das cidades.

Foto: arquivo pessoal


JOICE CRISTINA LOPES


“A reciclagem de materiais é um dos meios mais eficientes contra a poluição de nossos rios e das ruas de nossa cidade”, é o que afirma o limeirense, Moacir Magusteiro, 54, aposentado, que do lixo faz nascer obras de arte.

No final de 2002, um projeto inusitado veio parar em suas mãos, o que alterou o mundo da reciclagem. Com o intuito de exterminar garrafas dos principais locais da cidade, ele começou utilizando duas garrafas de cores diferentes para fazer um cata-vento, mas, quando percebeu, tinha criado várias obras de arte.

Várias obras podem ser encontradas em sua casa. Moacir guarda um mundo espetacular onde se pode deparar com diversas peças, como centopéia, roda-gigante, vários foguetes e aviões, como o 14bis, de Santos Dumont, flechas e até um chapéu de Cowboy PET , sua primeira fantasia de carnaval como novo defensor do meio ambiente.

Convites não faltaram, várias participações em escolas permitiram a ele apresentar sua arte, que une educação com meio ambiente e vontade de se superar.

Moacir não estudou o ensino básico completo, sempre viveu na roça, mas conquistou, com muita vontade, o saber. Hoje, o computador e as máquinas fotográficas os auxilia e, com o ferro de soda e o silicone, são as ferramentas para seu trabalho.

Seu trabalho ficou exposto em vários locais da cidade e contou com o apoio da Secretaria de Educação, entre outros patrocinadores. Seu acervo é de aproximadamente 120 peças – obras de arte que falam por si e ensinam como preservar o meio ambiente.

No carnaval de rua de Limeira, as obras de Moacir ganharam irreverência, prestígio e muito comentário. Sua primeira fantasia foi a de Cowboy Pet. Desde o chapéu até a espora, tudo feito com garrafas.

A segunda elegância foi de Santos Dumont, com o seu 14Bis, avião produzido com garrafas pet, mas com sofisticada aparelhagem eletrônica, que o faz voar.

Sua terceira passagem pelas ruas foi marcante, como Índio, com penacho, flecha, saia e rosto pintado, o que lhe rendeu vários elogios na platéia.

Neste ano, Moacir, com ousadia, criou um personagem diferente, aquele que sai de uma “pequena garrafa” e faz várias magias. Isso mesmo, o Mister Gênio da Garrafa Pet, seu mais recente trabalho.

Moacir reclama da falta de apoio de grandes empresários para dar continuidade ao seu trabalho.

“Quando comecei este trabalho, recolhia garrafas até meia noite, às vezes, um pouco mais tarde, mas acho que tudo isso não basta. Temos que ter consciência de que o planeta precisa ser salvo e, como nunca consegui vender minhas peças e tornar isso um novo mercado de trabalho, peço a todos que, pelo menos, respeitem uns aos outros”.

Reciclagem: ação de cidadania

ANALÚCIA NEVES

Além de reduzir a poluição ambiental, a coleta seletiva contribui para a saúde da população. A separação do lixo deve começar em casa.

Evani Tavares é presidente e uma das fundadoras da Cooperativa Reciclar, que fica na Rua Serra Dourada, 165, Jardim Baronesa, na cidade de Campinas (SP). A Cooperativa recolhe duas toneladas de material reciclável por mês.

A presidente lamenta a falta de material e vontade da sociedade em separar seu lixo e a falta de campanhas de conscientização por parte do poder público. “Tudo é reciclável e damos a destinação correta desses materiais”, disse.

Ela contou que, para a maioria dos cooperados, o trabalho na cooperativa é a única fonte de renda. E ressaltou que são 28 cooperados (22 mulheres e seis homens), divididos em três turnos de seis horas, com salário de R$400 mensais.

Ação empresarial

Nos dias de hoje, várias empresas já se conscientizaram da importância da separação dos seus resíduos sólidos. Como é o caso da Sanasa (Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A), empresa campineira que implantou em todas as áreas da empresa medidas em prol da preservação ambiental.

As ações envolvem a questão do lixo, como a coleta seletiva interna (com coletores padronizados), educação ambiental (que envolve palestras de conscientização dentro e fora da empresa) e atividades junto à Cooperativa Reciclar.

Um container foi colocado no pátio da empresa e está à disposição dos funcionários para depositar material reciclável, inclusive doméstico. Uma vez por semana tudo é recolhido e encaminhado para a Cooperativa.

Segundo Guaracy Bitar, funcionário da Sanasa e um dos idealizadores do projeto, a ação vai além da empresa, têm o objetivo de criar o hábito nos funcionários de separar os recicláveis também em seus lares. Ele fez questão de advertir: “Lixo só é lixo se estiver misturado. Separado é matéria-prima”.

Avanço na coleta seletiva
“Campinas aumentou 49,7% na arrecadação de resíduos sólidos para coletas seletivas, que somam 674 toneladas recolhidas por mês, os dados são da pesquisa Ciclosoft 2008, solicitada pela entidade Cempe (Compromisso Empresarial para Reciclagem).”
Fonte: Jornal Correio Popular de 30.04.2008.


Alguns benefícios da coleta seletiva:

Menor redução de florestas nativas.
Reduz a extração dos recursos naturais.
Diminui a poluição do solo, da água e do ar.
Economiza energia e água.
Possibilita a reciclagem de materiais que iriam para o lixo.
Conserva o solo. Diminui o lixo nos aterros e lixões.
Prolonga a vida útil dos aterros sanitários.
Diminui os custos da produção, com o aproveitamento de recicláveis pelas indústrias.
Diminui o desperdício.
Melhora a limpeza e higiene da cidade.
Previne enchentes.
Diminui os gastos com a limpeza urbana.
Cria oportunidade de fortalecer cooperativas.
Gera emprego e renda pela comercialização dos recicláveis

Tratamento de esgoto em pequenas comunidades ajuda meio ambiente

FERNANDA VERNIER

O mundo sofre uma crise de falta de água potável. Um dos motivos é a falta de tratamento de esgoto no mundo todo. Cintia Elena Nicolau, formada em Tecnologia em Saneamento Ambiental pela Unicamp explica algumas soluções para esse problema.

Segundo Cintia, a utilização da água para atender às necessidades da sociedade, tanto para sobrevivência, necessidades básicas, quanto para o desenvolvimento industrial etc., resulta na produção de efluente ou esgoto.

Cintia afirma que, dependendo de como e onde é destinado esse esgoto, sérios danos ao local podem ser ocasionados, como poluição das águas subterrâneas e superficiais, do solo, sendo um perigoso foco de doenças.

A disposição de esgotos brutos no solo ou em corpos d’águas naturais, como lagoas, rios e oceanos, é uma alternativa que foi e ainda é empregada de forma muito intensa, afirma ela.

Dependendo da carga orgânica lançada, os esgotos provocam a total degradação do ambiente (solo, água e ar) ou, em outros casos, o meio demonstra ter condições de receber e de decompor os contaminantes até alcançar um nível que não cause problemas ou alterações acentuadas que prejudiquem o ecossistema local e circunvizinho.

Isso demonstra que a natureza tem condições de promover o “tratamento natural” dos esgotos, desde que não ocorra sobrecarga e que haja boas condições ambientais que permitam a evolução, reprodução e crescimento de organismos que decompõem a matéria orgânica.

Ou seja, o tratamento biológico de esgotos é um fenômeno que pode ocorrer naturalmente no solo ou na água, desde que predominem condições apropriadas.

Uma estação de tratamento de esgotos é, em essência, um sistema que trabalha com esses mesmos organismos que se proliferam no solo e na água.

Em estações de tratamento procura-se, no entanto, aperfeiçoar os processos e minimizar custos, para que se consiga a maior eficiência possível, respeitando-se as restrições que se impõem pela proteção do corpo receptor e pelas limitações de recursos disponíveis, explica.

Nelas, procuram-se, geralmente, reduzir o tempo de detenção hidráulica (TDH), que é o tempo médio que o esgoto fica retido no sistema, e aumentar a eficiência das reações bioquímicas, de maneira que se atinja determinado nível de redução de carga orgânica, em tempo e espaço muito inferiores em relação ao que se espera que ocorra no ambiente natural.

Assim sendo, mesmo as disposições no solo podem constituir-se em uma excelente forma de tratamento, desde que se respeite a capacidade natural do meio e dos microrganismos decompositores presentes.

Segundo ela, há muitas alternativas para tratamento de esgotos, desde uma simples, porém controlada, disposição no solo até sofisticadas estações completamente automatizadas.

Para cada cidade, em função de suas características próprias, deve-se sempre escolher aquela solução que corresponda a uma eficiência e a custos compatíveis com as circunstâncias que prevalecem no local.

Ela afirma que são coletados em rede pública 49% do esgoto sanitário produzido no Brasil, sendo que, desses, apenas 32% são tratados, perfazendo cerca de 16% do produzido.

Diante desses números, aliado ao quadro epidemiológico e ao perfil sócio-econômico das comunidades brasileiras, constata-se a necessidade por sistemas simplificados de tratamento dos esgotos.

Esses sistemas devem conjugar os seguintes requisitos principais:
• Baixo custo de implantação;
• Elevada sustentabilidade do sistema, relacionada à pouca dependência de fornecimento de energia, de peças e equipamentos de reposição etc.;
• Simplicidade operacional, de manutenção e de controle (pouca dependência de operadores e engenheiros altamente especializados);
• Baixos custos operacionais;
• Adequada eficiência na remoção das diversas categorias de poluentes (matéria orgânica biodegradável, sólidos suspensos, nutrientes e patogênicos);
• Pouco ou nenhum problema com a disposição do iodo gerado na estação;
• Baixos requisitos de área;
• Existência de flexibilidade em relação às expansões futuras e ao aumento de eficiência;
• Possibilidade de aplicação em pequena escala (sistemas descentralizados), com pouca dependência da existência de grandes interceptores;
• Fluxograma simplificado de tratamento (poucas unidades integrando a estação);
• Elevada vida útil;
• Ausência de problemas que causem transtorno à população vizinha;
• Possibilidade de recuperação de subprodutos úteis, visando sua aplicação na irrigação e na fertilização de culturas agrícolas;
• Existência de experiência prática.

Embora não exista uma solução que atenda integralmente a todos esses requisitos, existem várias alternativas que atendem, em maior ou menor grau, aos principais requisitos que devem ser observados num estudo técnico-econômico de escolha de alternativas.

Cintia afirma que é de conhecimento amplo a crise que atravessa o saneamento no Brasil. Entre o final dos anos 80 e início dos anos 90, os dados referentes ao esgotamento sanitário são alarmantes, indicando índices de cobertura da população, por redes coletoras, de apenas 30%, e um percentual de municípios que possuem estações de tratamento inferior a 10%.

Mesmo nos municípios que se incluem nessa pequena parcela, em geral, as estações de tratamento atendem a apenas uma parte da população, muitas vezes as eficiências são reduzidas e problemas operacionais são freqüentes.

Diante desse enorme déficit sanitário, aliado ao quadro epidemiológico e ao perfil sócio-econômico das comunidades brasileiras, constata-se a necessidade por sistemas simplificados de coleta e tratamento dos esgotos.

Esses sistemas devem conjugar baixos custos de implantação e operação, simplicidade operacional, índices mínimos de mecanização e sustentabilidade do sistema como um todo.

Nesse sentido, as seguintes alternativas, dentre outras, devem ser consideradas:
• Sistemas individuais de tratamento e disposição de excretas e esgotos:
o Fossa seca, nas suas diversas modalidades,
o Tanque séptico e infiltração no solo,
o Tanque séptico e filtro anaeróbio;
• Sistema condominial de coleta de esgotos;
• Sistemas coletivos de tratamento de esgotos:
o Lagoa de estabilização,
o Aplicação no solo,
o Tanque séptico e filtro anaeróbio,
o Reator anaeróbio de manta de lodo.

No que se refere aos sistemas coletivos de tratamento de esgotos, embora existam alternativas que possam ser utilizadas, entende-se que, atualmente, no Brasil, as quatro relacionadas anteriormente encontram maior aplicabilidade.


sexta-feira, 9 de maio de 2008

Ocupação do Pós-represa deve levar meio ambiente em consideração



Área america-nense possui diversidade biológica e guarda riquezas naturais

JULIANO SCHIAVO

Quem olha o mapa de Americana, cidade do interior paulista, pode observar uma grande represa. Os olhos mais atentos enxergam um dragão azul, cujo nome real é represa do Salto Grande. Suas águas são afluentes do rio Piracicaba e guardam, próximo a Paulínia, um mini-pantanal, onde garças e outras aves se misturam com a paisagem.

Nas costas do dragão azul repousam 32 Km² de terras ainda não exploradas. Cosmópolis, Paulínia e Nova Odessa fazem divisas com essa área americanense, que corresponde a 22% do território do município e é conhecida como Pós-represa.

Na vegetação castigada pela monocultura da cana-de-açúcar, pelas pastagens e outros tipos de exploração não sustentável, ainda é possível encontrar áreas onde a biodiversidade resiste. É o que afirma o biólogo e doutor em Zoologia, Thiago Augusto Ortega Pietrobon, que desenvolveu um levantamento das nascentes do Pós-represa.

Nesse contato, ele teve a oportunidade de observar “inúmeros rastros (pegadas) de animais, destacando-se veados (inclusive com filhotes), guaxinins, cachorros e gatos que podem ser selvagens, além de aves e répteis”.

O biólogo destaca que, do ponto de vista da flora, foram observadas três grandes remanescentes de vegetação, que devem ser resquícios da vegetação original de Americana, e por isso, de grande importância para o município.

Mas essa área sofre impacto da ação do homem. Segundo Pietrobon, o avanço das plantações sobre as nascentes e a inexistência de mata ciliar ao seu redor, contribuem para a redução do volume hídrico e propiciam um aumento na erosão, o que colabora para assorear os córregos do local. “A falta de rotatividade de culturas, nas áreas cultivadas, pode também levar a um esgotamento das reservas de nutrientes do solo”.

Áreas de proteção ambiental
Com a aprovação do Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado (PDDI), no final de 2007, que é uma lei municipal que estabelece diretrizes para a ocupação da cidade, a prefeitura de Americana teve que elaborar um Plano Diretor Específico da área do Pós-Represa.

De acordo com a Diretora da Unidade de Estatística, Maria Aparecida Martins Feliciano, “esse trabalho está sendo realizado por uma equipe da Prefeitura, formada por técnicos de todas as secretarias”. Eles já tiveram a participação de alguns representantes de ONGs, de estudantes de mestrado, técnicos da comunidade e representantes de associações de classe. Existe também uma parceria com a comissão nomeada pela Câmara de Vereadores para acompanhamento da implantação das Áreas de Proteção Ambiental de Americana.

Definir é o caminho
A elaboração desse plano vai ajudar na implantação de vários projetos, cujo propósito é garantir o desenvolvimento sustentável do local. Isso inclui projetos de manutenção, recuperação e monitoramento das áreas de preservação ambiental.

Para Pietrobon, o PDDI é a oportunidade de planejar as ações sobre a área, garantindo que a geração de impactos sobre o ambiente seja mínima. “Se pensarmos do ponto de vista histórico, Americana, entre as décadas de 50 e 60, sofreu um grande aumento demográfico urbano. Nas décadas de 70 e 80, com a implantação de indústrias multinacionais, uma nova leva de migrantes ocupou seu espaço urbano. Assim, o desenvolvimento urbanístico do município ficou comprometido com o crescimento desordenado da população, como constatamos hoje pelas reduzidas áreas de praças públicas na malha urbana e menor número ainda de áreas de preservação conservadas”, destacou.

Recursos hidrológicos
O levantamento das nascentes realizado por Pietrobon apontou que, das 96 nascentes encontradas, apenas 14% apresentam certa cobertura vegetal. Por volta de 30% delas não apresentam vegetação arbórea, havendo apenas mato alto ou plantações ao redor. Vinte e três por cento apresentam poucas árvores e muito mato alto. O restante, ou não foi verificado ou encontra-se em área alagada, com vegetação típica de alagado, ou ainda está sendo reflorestada e encontra-se em desenvolvimento (duas nascentes nesta ultima situação). “O que mais chama a atenção na análise da cobertura vegetal é a presença de mato bastante alto, que muitas vezes sufoca as árvores em crescimento. Um manejo adequado deverá ser feito a fim de propiciar o desenvolvimento da mata ciliar”, disse o biólogo.


Importância do Pós-represa
Mais do que uma área para o desenvolvimento de Americana, o Pós-represa, de acordo com o biólogo, possui um papel importante na amenização da carga de poluentes atmosféricos que passam por ali e chegam à cidade, pois serve como uma barreira.

O local também pode ter papel estratégico no futuro na geração de água e na preservação da biodiversidade, devido à quantidade de nascentes e à riqueza biológica que apresenta.

Por isso, a realização de um plano-diretor específico da área é importante para fazer com que se adote uma política de desenvolvimento sustentável. “Através de um plano diretor pode se estabelecer um desenvolvimento sustentável, garantindo que naquele território haja um equilíbrio entre o desenvolvimento econômico, a justiça social e o meio ambiente”, explicou Maria Aparecida.
Foto: Thiago Pietrobon